sábado, outubro 19, 2002

Dor. Singela. Aguda. Pensou que não sentira mais essa sensação tão cedo. Pensou que finalmente já havia sentido demais dor durante sua tão jovem e pouca vida. Pensou que não precisaria novamente sentir o que sentia agora. Dor. Não uma dor física, que passa com o tempo, mas uma dor psicológica, que demora mais para cicatrizar, uma dor que nunca cicatriza por completo, pois sempre vem algo que parece mexer naquela ferida invisível, mas que sabe que esta lá, e sempre estará. Cansou de sua vida de sofrimento e dor, cansou de tudo o que já havia passado. Cansou de sua vida ser assim. Gostaria de nunca ter nascido ou que tivesse a ignorância de tomar a própria vida. Mas não iria cometer um ato tão covarde assim. Não acreditava que esta seria a solução.
Aceitaria a dor como sempre lhe era imposta, e então sofreria e conviveria com ela, com sempre fez...
Sentiu a lâmina fria penetrando sua carne, a dor aguda alcançando suas costas até senti-la penetrando seus orgãos internos. Logo após sentiu a lâmina sair e penetrar novamente sua carne mais umas 4 vezes.
Ficou esticado no chão, sentindo o sangue verter pelos ferimentos, sentindo a sua vida se esvair de seu corpo, ficou pensando que não queria morrer, mas não tinha medo da morte. Sabia quem havia sido o seu agressor. Sabia que teria a sua chance de vingança.
Seu pulmão falhava, não conseguiu mais respirar. Deve ter sido atingindo por um golpe. Não se importa mais em morrer. Sempre quis saber como é a morte, como é morrer.

Tossiu, sentiu a luz se extinguindo, a dor sumindo, e o cansaço diminuindo...

sexta-feira, outubro 18, 2002

Ela estava deitada do seu lado, escorada em seu peito, levemente adormecida. Ele a segurava com carinho e cuidado, e passava carinhosamente seus dedos pelos cabelos da nuca dela, deixando os cabelos enroscarem de leve em seus dedos, fazendo com que ela dormece-se por um momento. Ela se sentia bem ali, do seu lado, se sentia segura, se sentia feliz. Ambos se gostavam, gostariam de ficar naquele momento para o resto de suas vidas, se pudessem. Existia tanta coisa que poderia ser feita, tanta coisa que poderia ser idealizada. Mas como sempre alguma coisa imposta pelo destino acaba estragando o que parecia perfeito.

Foi quando aconteceu o inesperado, mudando para sempre a vida de ambos...
Olhou para baixo. Sentiu o vendo gelado bater em seu rosto, o cabelo esvoaçar e os carros passando em sua costumeira velocidade cadenciada. Não se importava mais com as consequências do que poderia acontecer, ou do que aconteceria após. Já era noite, e o prédio era um dos mais altos da cidade, com 42 andares. Estava no telhado do prédio, debruçado sobre o parapeito de mármore. Subiu no parapeito, e se sentou nele, com as pernas para fora, como se fosse a coisa mais comum que já fizera. Sacou um maço de Marlboro do bolso, acendeu um cigarro e deu uma longa tragada. Tirou os óculos e os limpo, e depois os guardou no bolso. Não precisaria deles para onde iria. Se levantou e começou a andar pelo parapeito, olhando ora para a rua lá embaixo, hora para o céu negro, sem nenhuma estrela nem lua.

Se posicionou no parapeito, e estava prestes a pular, quando apareceu atrás dele a pessoa que selaria para sempre o seu destino...

quinta-feira, outubro 17, 2002

Essa história foi escrita pela mary-jane e eu vou colar aqui para todos verem. E imaginarem as cenas.

* * *
Ele era seu hospede. Havia chegado ontem em sua casa, mas ja eram amigos a algum tempo.
Mas naquela noite havia algo diferente no ar...algo de diferente no olhar daquela menina.
Jantaram, conversaram, riram, mas lá no fundo ele percebia que tinha alguma coisa que nao estava certa, nao sabia se era bom ou ruim, era muito misterioso.
Conforme o tempo passava, achava ela mais inquieta, mas não tinha coragem de perguntar o que estava acontecendo.
Na hora de dormir, já deitando em sua cama, ele leva um susto quando ouve a porta abrir, e ele a vê, parada na porta, vestindo uma
camisola preta de cetim de alcinhas.... Que nao passava da metade das suas coxas.
Ele a olhava de baixo para cima, nunca havia visto antes ela vestida daquela maneira, ficou parado, hipnotizado.
Ele havia reparado que ela segurava um lenço em suas mãos.
Nisso ela se senta na cama, ficando de frente pra ele, ele que havia se sentado, pois ja estava deitado.
Ela olhou bem no fundo de seus olhos, ele estático, sem entender absolutamente nada.
Nessa hora ela lhe da um beijo, e empurra-o de volta para que deite novamente. ele pensa no porque do lenço em sua mao...e entende quando ela pega suas mãos, e envolve-os no pulso...

Nada mais precisa ser dito...

terça-feira, outubro 15, 2002

Estava sozinho a tanto tempo, que não lembrava mais a última vez que esteve com alguma pessoa de que gostava. Não um gostar de amizade, ou de companherismo. Um gostar recíproco, onde poderia ter alguma felicidade novamente. Foi quando surgiu do nada, aquela silhueta. Andava de um lado para o outro, com seus cabelos vermelhos esvoaçando ao vento, aquele cheiro de mulher característico emanando pelo ar, aquele olhar felino que faria muitos cairem de joelhos. Ela passou como se não deve nada a ninguém, e sentou logo após onde eu estava. Fiquei de frente a ela, que se sentou quase que também a minha frente, na mesa ao lado. Ela não olhou. eu a fitei por um tempo. Contemplando sua figura. Ela era baixa, cabelos vermelhos, rosto definido, um olhar dominador, e uma atitude dominante. O tipo de mulher que faz com que alguem caia à frente dela. Ela pediu um prato do restaurante. Estava usando uma saia, vermelha, com uma racha em cada lado, mostrando um pouco de suas coxas, provocando o libido de qualquer homem. Foi quando aqueles olhos verdes se encontraram aos meus. Foi algo hipnótico, não pude desviar o olhar. Senti meu rosto ficar quente, e senti o poder daquele olhar. Não desviei, e continuei olhando. Pudia ver seus seios, contra a luz através da blusa que ela vestia, livres de um desconforto de um sutiã. Um desejo de pular sobre a mesa e possuí-la me dominou, mas não deveria agir assim. Aquele anjo em corpo carnal, me fazendo quase explodir de prazer e sedução, dominava cada vez mais meus desejos. Foi quando ela se levantou, e veio em minha direção. Ela se sentou ao meu lado. Ficamos em silêncio alguns segundos, e então ela falou:

- Você me conhece de algum lugar ?

Já dominado pelo prazer de usufruir de sua companhia, puxei meu lado Don Juan, e lancei uma resposta à ela.

- Só se nos encontramos no céu, para já ter visto um anjo como você.

Ela apenas sorriu. Não parecia do tipo que gostava de cantadas baratas. Seus olhos se encontraram aos meus novamente. Não foi preciso dizer mais nada.

Apartir desse dia, nada mais seria o mesmo...